Protegido: O Quase e sua Graça

quarta-feira, julho 21, 2010

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Viver a Vida

sábado, maio 1, 2010

Pra começar um papo reto, devo dizer que isso não tem nada a ver com a novela. Pelo menos, não diretamente. Joguei este título pra dar ibope ao post e chamar a atenção pra uma questão epistemológica que tem roubado meu sono: a de que o mundo carece de uma teoria que se ocupe do presente.

Inicio revelando minha desconfiança sobre esta história de livre arbítrio. Este pode ser opressor quando permite que os outros joguem um peso desmedido em você. Também revela a mania de grandiosidade do homem, de que nós podemos tudo. Não quero dizer com isso que acredito em destino. O destino também é malandro. Ele nos coloca na passividade e no conformismo, nos afasta da responsabilidade e não confia na gente.

Então, existe uma lacuna a ser preenchida no entendimento da vida: a crença no livre arbítrio nos retira o passado, e o futuro nos é negado pelo destino. O que se ocupa do presente?

A crise existencial, para os chato-questionadores. Ela não seria um problema se não fosse tão carente: traz consigo o sr. Sofrimento e se articula de uma forma que poucos conseguem sair de seus domínios.

A outra alternativa (para os que sabem que viver bem é melhor do que viver mal, já que tem que se viver…): você pode ver qualquer fato sob a perspectiva da compaixão, do humor, da fantasia, e mais outras que não listarei por serem infinitas, dependerem da criatividade de cada um e da força de minha preguiça. A mágica aparece quando as lentes retiram o caráter de imutabilidade do passado e possibilitam fantasiar sobre o futuro, dando à cena cor, tamanho e  foco. Elas deveriam ser receitadas pra todos que carecem de autonomia criativa, síndrome que cresce assustadoramente por causa da proliferação de tediosos e/ou dramáticos telejornais, testes pseudopsicológicos de revistas e bulas de remédios.

Mas você não precisa morrer de tédio ou de raiva (isso é comportamento de suicida masoquista!); nem acabar com a vida dos outros com as suas intermináveis reclamações (isso é sadismo com requinte de crueldade!). Também não precisa ir atrás da verdade (que pode ser um deus, a ciência ou a confissão arrancada do outro) pra dar à sua vida um rumo. O primeiro passo para a tranquilidade é aceitar esta inacessibilidade – ou inexistência. Através da lente Polianna, por exemplo, exibir-se com seus defeitos deixa de ser uma vergonha pra se tornar um orgulho. Com ela é possível filtrar pessoas com as quais se tem afinidade, otimizando o tempo ao gastá-lo só com gente compatível com você. Por isso, não importa quão excêntrico você seja, baby, relaxe e … bote um óculos de sol.

Depois de tanto blá blá blá, confesso que não sei se a escolha das lentes está acessível a qualquer um. Talvez elas tenham chegado até mim por conta do destino, ou eu tenha chegado até elas por conta da minha história. Vai saber… Teria que pensar muito a respeito e talvez isso destruísse todo este post que me tomou um certo tempo pra ser feito. Prefiro acreditar na ilusão de que posso escolher a lente que quiser e, com isso, não jogar este trabalho na lixeira deste blog, pelo menos.

O Natal e sua utilidade científica

domingo, dezembro 27, 2009

Já li e ouvi muito: as mulheres se arrumam pra outras mulheres. As pessoas que dizem isso se acham sábias, descobriram o que, aparentemente, não era tão aparente. De quebra, os homens são diminuídos e o movimento feminista ganha força sem fazer alarde. Talvez fosse uma boa estratégia das mulheres se não houvesse um pequeno problema: sua base é falsa.

Reparem nas roupas usadas no natal e agora lembrem quem estava presente no encontro. As pessoas são as de sempre; as roupas são especiais. A gente vê a família, com sorte, uma vez por semana, no mínimo. Almoço na casa da avó todo domingo, aniversários de janeiro a dezembro, sono com marido (para aquelas que os tem) ou café-da-manhã com os pais. Até aí nenhuma novidade, assim como não há nenhuma extravagância estilística: jeans e camiseta, vestidinhos florais de algodão, camisola ou camisão (para as mais “descoladas”), jeans e camiseta de novo.

No natal é diferente. Ele quebra com qualquer argumento que defenda a rivalidade feminina.  As mulheres compram roupas novas – quase trajes passeio completo, com brilho, tecido finos – para… ficar em casa! Com… a família! Filhos, pais, irmão, sogros, maridos… Daí concluo: as mulheres não se vestem para as outras. Nem para os homens. Vestem-se para algo que não exististe em concreto, para o qual os sentidos são ineficazes, cujo valor é meramente simbólico e subjetivo: ocasião.

Fotos Pop

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Você não tem como ser in se não tiver orkut. É ele que te coloca a par das tendências fotográficas do momento. Basta acessar o perfil de qualquer um e dar uma olhada – de relance – em seus amigos. Este procedimento é muito importante porque, além de tirá-lo da alienação sobre a cultura pictórica-virtual do séc. XXI, proporciona um bom entendimento sobre a pessoa em questão.

Creio ser do conhecimento de todos os auto-retratos. Sempre existe um bracinho ali, em primeiro plano, e depois todo o resto da pessoa. O pacote inclui o ângulo “de cima pra baixo” dos rostos em semi-perfil. Pode ser perigoso colocar tais fotografias no álbum, já que muitas inferências podem ser feitas a partir delas: no mínimo, a pessoa é narcisista ou solitária, senão os dois.

Crescendo em proporções geométricas, as fotos de pés marcam forte presença. Pezinhos solitários, de casal, de amigos. Entrelaçados ou livres. De todos os tamanhos. Descalços – tatuados, às vezes – com chinelinho ou, no máximo, uma sapatilha (não há combinação de pé com sapato alto, podem procurar). No começo, estas fotos eram propriedades de pessoas com “alma de artista”. Hoje, sairam do gueto e ganharam os álbuns de pessoas comuns. Comuns demais.

Em quantidade menores, mas suficiente para serem um grupo forte, estão as fotos de costas. Sabemos, por raciocínio lógico, que a pessoa de costas possui características opostas das que se auto-retratam: tem companhia (um outro tirou sua foto!) e não quer aparecer (pelo menos de forma explícita). O fotografado, neste caso, insinua casualidade ao contemplar a paisagem num momento de introspecção. Entretanto, ele se entrega quando expõe a fotografia: uma confissão silenciosa do desejo de passar, pros outros, uma imagem de que ele é mais ele. 

Há também as fotos cortadas, que se dividem em duas categorias: (1) a foto é de um grupo, mas a pessoa se achou tão bonita que não resiste ao recorte básico de si (talvez seja esta uma das suas melhores!); (2) o fotografado não se encontra convencionalmente enquadrado, permitindo que a mensagem de movimento, assimetria e/ou descontração seja eficaz (isso pode ser legal!). Agora… tem gente que força a barra e corta uma foto tradicional a fim de dar uma roupagem pós-moderna. Aos olhos mais educados, esta farsa não passa despercebida.

O triste é que poucos se aventuram a ser olhados de frente. O olho no olho pode evidenciar defeitos que queremos esconder. O ser humano é assim: tenta arduamente mostrar só o seu melhor lado. Com um pouco de atenção constatamos que este lado é comum a todos e que estamos carentes de boas qualidades particulares. As fotos não retratam mais nada que não seja ordinário.

Irritando Nanci Nakamura

segunda-feira, dezembro 7, 2009

Existe uma lista grande de palavras e expressões que são de lascar. Algumas são bem conhecidas: “beijo no coração”, “jeito de ser”, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, “para comigo”, “para com a sua pessoa” e derivados… Já ouvi muitas críticas a respeito.

Há ainda as menos faladas ou notadas, mas que surtem o mesmo efeito. Ainda não sei se o resultado é produto da minha impaciência ou se as pessoas andam demasiamente tolerantes. Espero que concordem, pois é difícil admitir minha susceptibilidade solitária a eventos externos desta natureza.

Leio trabalhos de colegas que acham bacana empregar “ou seja”. Quando chego neste ponto do texto, sei que a mesma ideia exposta na linha anterior será recolocada em outras palavras. Eu tenho certeza de que não quero gastar o tempo da minha vida assim, diante de frases mal pensadas que precisam ser reformuladas. Ou ainda diante de frases que já cumpriram seu papel e que estão sendo repaginadas. Não é que eu tenha grandes planos e que saiba como viver. Mas “ou seja” é recurso de quem está ciente de que não se expressou bem… A solução pode estar em não escrever ou em seguir o ritual mínimo: 1) pensar; 2) clarear as ideias; 3) organizar o discurso. Sem falar que a repetição me parece estar na contramão da história. Desperdício de tinta, papel e tempo.

A vida seria até boa se minha irritação parasse aí. Infelizmente “ou seja” não reina absoluto. “Porém” pode ser mais intragável. Usado como um substituto do “mas”, “porém” não tem classe. Mesmo diante de tantos sinônimos tem gente que insiste em achar um lugar pra ele.  Uma fixação que, como tal, é incompreensível, já que o  “mas” tem milhões de vantagens: é simples, despretensioso e bonito; tem apenas 3 letras e um som que sabe qual é o seu lugar. Como numa melodia harmônica, o “mas” compõe a oração, que segue fluida sem interrupções desagradáveis.

Pra piorar, está ficando cada vez mais comum receber e-mail cujo assunto está escrito em letras GARRAFAIS, no qual partes IMPORTANTES do conteúdo estão devidamente assinaladas, e com acréscimos de exclamações carregadas de emoção!!!!! Muito drama pra quem não curte novela, Beyoncé e best-sellers.

Já no orkut, o risco reside nos scraps em que a “saudade” rola solta. Virou uma espécie de ponto final: “Te ligo amanhã. Saudade”; Quais as novidades? Saudade.” Pessoas com as quais não tenho e nunca tive vínculo ou convivência estreita se despedem deste modo. Aí acabo me lembrando porque não me tornei mais próxima desta criatura, que utiliza palavras afetuosas de forma tão irresponsável. Se houvesse algum movimento pra preservação do valor da “saudade” e expressões correlatas, como forma de adesão, eu botaria até um broche no meu vestido.

Você poderia supor que meu estresse atinja seu ápice quando entro em contato com todos estes elementos reunidos. Errado. Ao me deparar com o primeiro escorregão, os outros não me surpreendem mais: já é de se esperar que uma mesma pessoa goste de todos eles. Parto do princípio de que a linguagem comunica mais do que conteúdo ou forma. Ela dá significado à vida do autor.

Fique por Dentro da Academia (de ginástica)

quarta-feira, outubro 28, 2009

Se pensam que as pessoas vão à academia para cuidar da saúde, estão muito enganados. Se pensam que vão para dar um upgrade no corpo, estão parcialmente enganados. A grande verdade é: não há lugar melhor para encontrar pretendentes. A academia exala sexualidade.

Pra começar, ninguém pode discordar da concentração acentuada de feromônios que se tem por lá. Sabemos que a comunicação pelo cheiro exerce um poder magnético sobre nós e colocamos nosso olfato e transpiração a serviço da seleção e atração de parceiros. Tem química no ar.

Mensagens auditivas são também muitos sugestivas. Enquanto fazemos exercícios podemos, em relação direta com o esforço desprendido, emitir gemidos, ora tímidos e curtos, ora altos e longos. Homens mostram extrema força e vigor – e músculos – nestes momentos. Mulheres demonstram equilíbrio entre fragilidade e determinação.

Mas o maior estímulo é o visual. Roupas coladas ao corpo, pernas e barrigas à mostra, para elas. Manchas de suor nas camisas, cabelos desarrumados e rusticidade, para eles. Munidos de tais apelos, seguem para os seus aparelhos. Cadeira abdutora (para afastar as coxas ao máximo), aparelho de quatro apoios para glúteos (sei…), agachamentos e alongamento fazem parte da sequência feminina. Enquanto isso ele se exercita na Rosca Scott, direta e martelo (mostrando ser capaz de levantá-la com facilidade), utiliza-se da barra fixa (onde força, resistência e pegada forte são necessários) e finaliza com abdominais (inferiores são os mais importantes).

No fim do treino, ambos estão dopados de endorfinas, felizes, prontos para dar início a algo que pode terminar quase da mesma forma, mas com o bem vindo desenvolvimento dos processos orgânicos.

Não existe festa no mundo que propicie tantos estímulos sensitivos.

obs: As academias poderiam ser mais eficientes se colocassem seus aparelhos aeróbicos de frente um do outro, ao invés da tradicional disposiçã0 um atrás do outro.

Mudanças Expostas

domingo, outubro 25, 2009

O término de um namoro traz muitas coisas desagradáveis. Como se não bastasse a perda da pessoa, da rotina, dos conhecidos e da família dele (dos quais aprendeu a gostar), ainda tem que aguentar o papel em que te colocam – vítima ou algoz -, como se seu relacionamento fosse enredo de filme hollywoodiano. Rebaixam você, rebaixam seu romance, e toda a complexidade humana é retratada como novela das 8.

As piores transformações, entretanto, residem nos seguintes detalhes: novos amigos e novas roupas. Se o círculo social e o guardarroupa se mantivessem iguais, tudo seria mais fácil. Digo isso porque são nestes pontos que a mudança se materializa.

Encontrar seu ex com uma blusa salmão, que durante o namoro nem cogitava olhar na vitrine, a faz suspeitar que não sabe mais quem ele é. Se ele estiver, ainda, com amigos que você sequer ouviu falar o nome, o sentimento de estranheza ganha total fundamento.

Afinal, quem é este sujeito que antes não sabia escolher suas próprias roupas, que só se vestia de azul, preto e verde, que não era de muita conversa e que se vangloriava de ser fiel aos seus amigos de infância? Será que você realmente conheceu este ser com quem namorou por longos anos? 

É claro que ainda se perguntará se estas mudanças são influências de uma outra. E aí os questionamentos passam a não ter fim: por que usa salmão com ela e não usava contigo? Por que não gostava de sair com os seus amigos e está aí super entrosado com os dela? Que importância é essa que você teve na vida dele que não deixou marcas visíveis?

Com roupas e amigos novos revelados, seu passado vira um conflito do presente, seu ex, um desconhecido e você, uma neurótica irrecuperável. Com toda razão.